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Antidepressivos e placebo têm o mesmo efeito?

Uma pesquisa do psicólogo norte-americano Irving Kirsch colocou em xeque o uso de antidepressivos para o tratamento da depressão ao mostrar que o efeito placebo é similar ao do medicamento. Mas antes de achar que é possível dispensar a medicação fique atento ao alerta de especialistas - o efeito placebo é, sim, importante nos casos leves. Nos casos graves não tratados há um alto risco de suicídio e de agravamento de doenças preexistentes.

''A depressão é uma das que mais custa anos de vida perdida e leva às incapacidades social e profissional. O tratamento salva vidas'', alerta a psquiatra Sandra Vargas, de Londrina. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença está associada à morte de cerca de 850 mil pessoas por ano.

O efeito placebo, explica o psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador do Pronto Atendimento e Interconsultas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, é ''fenômeno descrito há séculos e representa a expectativa psicológica do paciente em relação à medicação''. Mas o cuidado do médico, a atenção despendida e a confiança, também podem ser considerados parte desse efeito por ajudar na melhora. ''O efeito placebo pode melhorar entre 30% e 50% dos pacientes com transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, e em condições dolorosas crônicas. Mas, em quase todos os problemas de saúde, o efeito placebo pode ocorrer. Por isso, para uma medicação ser considerada realmente eficaz, é padrão se fazer um estudo que mostre que ela consegue melhorar mais pessoas do que o efeito placebo''.

No estudo feito pelo psicólogo, aponta Sandra, foram comparados 1,4 mil pacientes, e apenas na primeira fase da pesquisa o placebo teve efeito melhor. ''O efeito placebo é importante em depressões leves, mas não nos casos graves, em que o paciente não tem condições de sair da cama'', diz.

Tung também ressalta que os antidepressivos são uma com muitas substâncias, com efeitos e eficácias diferentes para o tratamento da depressão. Exemplo é que o medicamento leva de três a seis semanas para fazer efeito - e a doença dificilmente 'responde' ao primeiro. ''Às vezes o primeiro não dá certo e é preciso associar com psicoterapia. Há uma tentativa de uso de vários antidepressivos até dar certo. Isso é prática comum de consultório'', avalia Sandra.

Para o médico, esse tipo de pesquisa que questiona a real eficácia dos antidepressivos ''acaba sendo útil por exigir que a metodologia seja mais apurada, melhorada, e que possa realmente mostrar quais antidepressivos são úteis e em que tipo de depressão''. ''O maior problema deste tipo de análise é que o resultado depende dos trabalhos que são incluídos para a análise conjunta. Existem estudos em que drogas, comprovadamente eficazes para depressão, não conseguem se diferenciar do placebo, mas o problema não foi a eficácia, mas sim o tipo de paciente selecionado (de centros médicos universitários, que costumam ser mais graves e resistentes). Outro ponto importante é que os resultados nunca são definitivos, pois a pesquisa evolui e novas medicações podem ser mais eficazes de fato'', conclui.

(Fonte: Folha de Londrina)

(P)

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