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Atenção ao diagnóstico: tristeza não é doença

A depressão, segundo o psiquiatra Teng Chei Tung, de São Paulo, é uma doença que afeta o estado de humor e reduz a capacidade de sentir satisfação ou prazer. Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria mostram que a doença acomete cerca de 10% dos brasileiros, com maior incidência entre pessoas de 20 a 30 anos de idade e acima dos 60. Mas, segundo dados da OMS, a doença deverá ser, até 2030, a segunda maior causa da perda de qualidade de vida no mundo.

Segundo o especialista, a origem da depressão está ligada diretamente a circunstâncias estressantes da vida, desequilíbrio químico, fatores genéticos, de personalidade e ambientais. E exige atenção no diagnóstico, já que, por falta de conhecimento, é comum a população associar uma simples tristeza à depressão. ''O estado clínico de depressão só se caracteriza quando há ocorrência de quatro ou mais sintomas ao mesmo tempo'', revela Tung.

Seja em estágios leves, moderados ou graves, o tratamento quase sempre é realizado com auxílio de terapias, além dos antidepressivos, e busca amenizar os prejuízos no dia a dia das pessoas, suas relações familiares e profissionais. O que a psicoterapia ajuda, segundo a psiquiatra Sandra Vargas, de Londrina, é principalmente a 'trabalhar' os sentimentos negativos, de desamparo e de desespero. Tung também ressalta sua importância: ''estudos mostram que a associação entre a psicoterapia e a medicação conseguem resultados superiores aos tratamentos isolados, mas não são unânimes''.

Ele lembra que, para um melhor resultado, o tratamento deve ser mantido por alguns meses após o término dos sintomas, para que não haja recaída. ''Há casos de depressão recorrente que necessitam de tratamento prolongado''.

Sandra alerta ainda que a doença aumenta o processo inflamatório no organismo e por isso traz com ela comorbidades. ''O tratamento é protetor. A depressão é tóxica para o cérebro'', afirma. ''Quem sobrevive a um infarto do miocárdio e tem depressão tem maior risco de morrer do que quem não teve. Em uma escala menor, o mesmo foi observado para diabetes, acidentes vasculares cerebrais, insuficiência renal e outras doenças. Ainda não existem muitos estudos que comprovam que o tratamento com antidepressivos diminui esse risco mas, aparentemente, a melhora de depressão está associada à melhora do prognóstico'', completa Tung.

(Fonte: Folha de Londrina)

(P)

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